É incrível como muitos dos grandes músicos de Blues são conhecidos pelos seu apelidos, até mais do que por seus reais nomes. Em muitos casos, os verdadeiros nomes são obscuros, e frequetemente se perdem com a falta de registros hisóricos. Mesmo os maiores fãs podem saber apenas o apelido.
E existem alguns grandes artistas do blues no pré-guerra, como: Bumble Bee Slim, Leadbelly, Little Son Joe, Sam Salty Dog, Funny Page Smith. A lista de apelidos é gigante. Muitos cantaram músicas que contavam ou ajudavam a explicar a origems dos seus apelidos. Um cara chamado James Arnold regravou uma canção que Scrapper Blackwell tinha gravado alguns anos antes. Pouco depois, já era conhecido com o nome de Kokomo James, e o nome original, James Arnold, quase desapareceu. A música é “Old Original Kokomo Blues” de 1934. “Kokomo Arnold” é provavelmente uma referância à cidade de Kokomo, no estado de Indiana. Dois anos mais tarde, Robert Johnson “refez” a canção, mudando a cidade para “Sweet Home Chicago”, que inspirou inúmeros “covers”. Mas o nome Kokomo ficaria para sempre ligado a Arnold.
Canções que falam sobre o jogo de cartas são frequentemente ouvidas neste gênero. Mas o músico texano “Babe Karo Lemon Turner” levou essa prática a outro nível quando adotou / assumiu o nome da mais bela carta do baralho, “Black Ace” (Ás Preto). Ele contou a sua história numa gravação de 1937 chamada, é claro, “Black Ace”.
Outro músico texano ganhou seu apelido porque era um cara que não queria ficar em nenhum lugar por muito tempo. Ele nasceu como Thomas Willard, e gravou suas canções com o nome de “Ramblin’ Thomas”. A história de como ele ganhou o novo está na canção “Ramblin ‘Man”, de 1928. Porém, para alguns músicos apenas UM APELIDO não era suficiente.
JT Smith, outro músico texano, era um deles. Ele era conhecido como “Funny Paper” ou, como acreditam alguns pesquisadores, “Funny Papa”. Se fosse “Funny Paper”, provavelmente era uma referência às tiras de humor, nos jornais, talvez até mais especificamente “Snuffy Smith”. Mas de qualquer maneira, “Funny Papa” ou “Funny Paper”, Smith teve ainda um outro apelido. E ele o teve algumas décadas antes de um bluesman, mais famoso. É um dos grandes apelidos relacionados a animais, Howling Wolf.
Nascido Harold Bunch, esse foi outro músico com alguns apelidos populares: mais conhecido como “Peetie Wheatstraw”, ele era também “The Devil’s Son-in-Law” e “High Sheriff from Hell” (“Genro do Capeta” ou “Xerifão do Inferno”). Falamos de Robert Johnson e de como ele “emprestou” a música de Kokomo Arnold, mas ele também se serviu muito de “Peetie Wheatstraw”, incluindo uma associação com o diabo. O problemático personagem criado / adotado por “Peetie Wheatstraw” se tornou parte do folclore e da cultura americanas, aparecendo nas em novelas de Ralph Ellison,e nos filmes de Rudy Ray Moore.
Não está claro se Bunch pegou o nome de algum herói popular já existente, ou se foi uma criação dele mesmo. De qualquer maneira, ele era um músico muito popular quando gravou a sua história na música “Peetie Wheatstraw Stomp”, em 1937.
Os apelidos eram a única identificação de muitas gravações de artistas de Blues no período pré-guerra. Eram até mais importantes que os nomes reais, para o registro público de compra (venda dos discos) e para as pessoas, dentro das pequenas comunidades, que interagiam intensamente com esses artistas.
Para muitas dessas pessoas, os apelidos eram uma parte essencial da sua identidade. Falavam algo mais sobre o homem, se era ligado ao diabo, se era “encrenca”, se não criava raízes, ou talvez apenas pelo simples fato de ser magro (Menphis Slim, por exemplo).
Usar apelidos é uma parte importante da cultura negra americana e do legado do blues. Ainda hoje em dia, apelidos podem ser facilmente vistos no hip-hop e no RAP, onde praticamente ninguém grava com seu nome de batismo.
Outros apelidos famosos:B.B. KingCelso Blues Boy
Blind Lemmon Jefferson
Fonte: DeltaBluesMuseum.Org, PurpleBeech
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